Politics and the Forms of the Political

8th Annual Meeting University of São Paulo/Federal University of Minas Gerais/Inhontim Center of Contemporay Arts

VIII Encontro Internacional da Sociedade de Psicanálise e Filosofia

VIII Meeting of the International Society of Psychoanalysis and Philosophy
VIII Rencontre de la Société International de Psychanalyse et Philosophie

23 a 27 de novembro de 2015 / 23 to 27 november 2015 / 23 à 27 novembre

Universidade de São Paulo (23 and 24 november)
Universidade Federal de Minas Gerais (25, 26 and 27 november)

Mais informações:
sipp.ispp@yahoo.com
www.sipp-ispp.org

A política não precisa ser pensada apenas como reflexão estruturada sobre as formas das identidades coletivas em sua pretensa autonomia. Se a psicanálise tem consequência para o pensamento político é por ela trazer uma concepção nova de conflito, de diferença e de singularidade com implicações sobre a economia de relações entre sujeito e sociedade. Pois desde seu início, a psicanálise nunca se contentou em ser apenas uma clínica do sofrimento psíquico. Já a teoria social freudiana trazia elementos ainda não inteiramente explicitados quanto á economia libidinal da experiência política das sociedades modernas. Seja através da procura em revelar a dinâmica pulsional do poder, a natureza das identificações que nos vinculam à autoridade, a fonte política do vínculo transferencial, as fantasias que garantem a coesão social e o mal-estar que nasce como saldo do processo civilizatório, a psicanálise freudiana deixava claro como só seria possível pensar o sujeito lançando luzes na dimensão social de seu sofrimento e de suas expectativas de criação social.
Este caminho aberto por Freud será uma constante na experiência filosófica a partir de então. As reflexões da Escola de Frankfurt a respeito da estrutura pulsional da regressão política, as discussões de Deleuze e Guattari sobre as relações entre desejo e capitalismo, de Lyotard sobre a economia libidinal e mesmo a sensibilidade de Michel Foucault aos dispositivos disciplinares de nossa época e da consolidação da biopolítica neoliberal são incompreensíveis sem recuperarmos o campo aberto pela reflexão freudiana, por mais que vários de tais autores tenham uma relação tensa, porém decisiva, com a psicanálise.

1. Políticas da psicanálise
Neste sentido, um colóquio que se propõe a discutir “A psicanálise e as formas do político” nos leva, ao menos tempo, a uma tematização do caráter interno das políticas da psicanálise, a uma recuperação da atualidade de questões relativa às dinâmicas do poder abordadas pela produção psicanalítica e a uma reflexão aberta por setores da filosofia política contemporânea a partir do impacto de problemáticas psicanalíticas ( presente nos trabalhos de: Laclau, Judith Butler, Zizek, Badiou, Lefort, Deleuze, Foucault, Lyotard, Derrida, Adorno, Marcuse, Honneth, entre tantos outros).
Tal amplitude nos obriga, inicialmente, a integrar á “psicanalítica do poder” estudos arqueológicos e críticos sobre suas instituições, discursos e ideologias. Suas interfaces e incidências sobre a diversidade dos campos, experiências e dispositivos da cultura e sociais ainda estão por se delinear á luz da crítica filosófica. Pois aos efeitos e desafios do discurso analítico no âmbito de diferentes modalidades de expressão do político na contemporaneidade não foram conjugados, até o momento, as exigências teóricas, a experiência clínica e a história institucional da psicanálise.
Por outro lado, ela nos faz retomarmos o sentido de vários momentos nos quais a produção psicanalítica se deparou com a política. Especial importância deve ser dada à construção freudiana da categoria de mal-estar e suas incidências na reflexão sobre a crítica social, assim como sua relevância para a construção de sensibilidades para a especificidade das formas de sofrimento no século XX. Vale ainda lembrar como a perspectiva aberta pela psicanálise nunca foi apenas crítica e profilática. Em vários momentos, ela deu ensejo a uma reflexão sobre as potencialidades de pensarmos formas renovadas do político e de seus vínculos. As reflexões sobre grupos em Lacan e Bion, o problema de uma identidade coletiva sem estado em Freud, a política sexual de Reich são apenas alguns momentos desta capacidade da psicanálise em demorar-se diante do problema da forma das relações que compõem o político.
Por fim, talvez estejamos atualmente em um momento no qual dimensões da crítica social filosoficamente orientada podem ser abordadas em seu diálogo tenso com a psicanálise. Desde os anos cinquenta, a filosofia social se depara com a reflexão sobre a natureza do capitalismo e de seus regimes de racionalidades. Em vários destes momentos nos quais crítica da razão e crítica social se articularam, a psicanálise fora convocada, seja para impulsionar a crítica, seja para ser vista como mais uma forma disciplinar de perpetuação das formas de vida hegemônicas no capitalismo. Isto sempre produziu um diálogo difícil entre psicanálise e filosofia social que, agora, pode ser retomado em outro patamar.

Política e estética
Gostaríamos ainda de explorar uma outra dimensão das elaborações psicanalíticas. Pois a reflexão sobre a forma é, muitas vezes, um ponto no qual política e arte se associam. A invenção estética, como ideia e como experiência, conecta-se vivamente com o âmbito do político, seja para celebrar-lhe as conquistas, seja para criticar suas tendências, efeitos e configurações. A forma estética e a forma política não são indiferentes uma a outra mas tem uma peculiar capacidade indutora, da mesma maneira que desejo e linguagem, transformações do desejo e transformações da linguagem nunca foram nem poderão ser indiferentes. Assim, uma reflexão sobre a psicanálise e as formas do político não pode deixar de se debruçar sobre a força política dos textos psicanalíticos sobre a produção estética.

Singularidade e diferença
Sendo assim, o objetivo deste encontro é discutir a atualidade da psicanálise para uma discussão sobre as formas do político, atentando para o que ela pode inserir de singular do seio das organizações coletivas. A consideração da invenção estética será o meio através do qual tentaremos mostrar como a psicanálise inclui, de maneira eficaz, a singularidade no centro do pensamento político.

Politics does not only allow itself to be thought as a structured reflection about forms of collective identity in their ostensible autonomy. If psychoanalysis has repercussions for political thought, this is to the extent that it leads us to a new conception of conflict, of difference, and of singularity, that has implications for the economy of relations between the subject and society. For, from its origin, psychoanalysis has never been restricted to being a clinic of mental suffering. Freudian social theory already contained elements that were not entirely clarified regarding the libidinal economy of the political experience of modern societies. Whether in its pursuit of unveiling the drive dynamics of power and the nature of nature of the identifications that chain us to authority or through its treatment of the political source of the transferential relation, whether in its attentiveness to the fantasies securing social cohesion as well as the discontents that are produced as a byproduct of the process of civilization, psychoanalysis has always elucidated the necessity of thinking the subject while taking account of the social dimension of suffering and the expectations of social creation.
Thus, this path opened up by Freud will be a constant reference in the philosophical experience that has followed from it. The Frankfurt school’s reflections regarding the drive structure of political regression, Deleuze and Guattari’s discussions of the relationship between desire and capitalism, Lyotard’s account of libidinal economy, as well as Michel Foucault’s attention to the disciplinary apparatuses of our era and the consolidation of neoliberal biopolitics, cannot be understood without taking into account the field inaugurated by Freudian thought, despite the sometimes conflicted—although no less decisive—relationships that these authors maintained to psychoanalysis.

1. Politics of psychoanalysis

In this respect, a colloquium that proposes to discuss “Psychoanalysis and the Forms of the Political” leads us necessarily to the theme of the intrinsic character of the politics of psychoanalysis. And at the same time, towards a reclaiming of the current state of questions relating to the power dynamics examined by psychoanalytic production, as well as towards a reflection opened up by the sectors of contemporary political philosophy based on the repercussions of psychoanalytic problematics present in the works of Laclau, J. Butler, Badiou, Lefort, Deleuze, Foucault, Lyotard, Derrida, Adorno, Marcuse, Honneth, among others. Doubtless, this broad scope obliges us to integrate the “psychoanalysis of power” with archeological studies and critiques of institutions, discourses, and ideologies. Its interfaces and repercussions on the diversity of fields, experiences and cultural and social apparatuses are still awaiting a philosophical critique capable of clarifying them For the effects and challenges of analytic discourse (as it appears) in the domain of the different modalities of the expression of the political in current times have not yet been linked, in our present moment, to the theoretical rigor, the clinical experience, and the institutional history of psychoanalysis.
What’s more, this discussion leads us to reassess the meaning of several moments in which psychoanalytic production took up the question of politics. A special importance must be granted to Freud’s construction of the category of discontent and its repercussions on reflections relating to social critique as well as to its contributions to the constructions of awareness of the specificity of the forms of suffering in the twentieth century. Moreover, it is important to remember that the perspective opened up by psychoanalysis is not limited to its critical or prophylactic dimension. At many moments, psychoanalysis has unleashed reflections about the potentiality for thinking about renewed forms of the political and its links. Reflections on groups in Lacan and Bion, the question of a stateless collective identity in Freud, sexual politics in Reich, all of these moments attest to this capacity of psychoanalysis to confront the problem of the forms of relationships that comprise the political. Perhaps we currently find ourselves in a moment in which philosophically oriented social critique can finally allow itself to enter into conversation with psychoanalysis. Since the 1950s, social philosophy has needed to confront reflection about the nature of capitalism and its systems of rationality. Among the many of those moments in which reason and social critique were articulated together, psychoanalysis was called in, either as providing support for this critique or to be accused of being situated as yet one more disciplinary mode for the perpetuation of the hegemonic forms of life within capitalism. This has always produced a difficult dialogue between psychoanalysis and social philosophy that can now be recovered at another level.

Politics and Aesthetics

And last but not least, it is also up to us to explore the aesthetic dimension of psychoanalytic research, for the reflection on form brings us to the point where politics and art come together. Aesthetic invention, as both idea and experience, is strongly linked to the domain of the political, whether as a way of celebrating its conquests or as a means for critiquing its tendencies, effects, and configurations. Aesthetic form and political form are not indifferent to one another, but have a particular capacity of induction, such that desire et language, transformations of desire and transformations of language combine and cross each other as in a chiasmus. Thus a reflection on psychoanalysis and the forms of the political should not neglect the political force of psychoanalytic texts about aesthetic production.

Singularity and Difference

This being so, the objective of this meeting concerns the discussion of the current state of psychoanalysis with attention to its reflection on forms of the political, while taking into account the distinctive element that it brings at the level of political organizations. The consideration of aesthetic invention will be the means by which we will try to show how psychoanalysis includes, in an effective way, the singularity at the center of political thought.

La Psychanalyse et les formes du politique

VIII Rencontre de la Société Internationale de Psychanalyse et Philosophie
23-27 novembre 2015
Université de São Paulo
Université Fédérale de Minas Gerais

La politique ne se laisse pas seulement penser en tant que réflexion structurée sur les formes des identités collectives dans leur prétendue autonomie. Si la psychanalyse a des conséquences pour la pensée politique, c’est dans la mesure où nous mène à une conception nouvelle de conflit, de différence et de singularité avec des implications sur l’économie des rapports entre le sujet et la société. Car, dès son origine, la psychanalyse
ne s’est jamais restreinte une clinique de la souffrance mentale. La théorie sociale freudienne contenait déjà des éléments qui n’étaient pas entièrement explicités en ce qui concerne l’économie libidinale de l’expérience politique des sociétés modernes. Soit à travers la recherche à dévoiler la dynamique pulsionnelle du pouvoir, aussi bien que la nature des identifications qui nous vinculent à l’autorité, soit à travers la considération de la source politique du lien transférentielle, des fantasmes garantissant la cohésion sociale autant que le malaise qui en résulte comme solde du processus de la civilisation, la psychanalyse a toujours mis au claire la nécessité de penser le sujet en tenant compte de la dimension sociale de sa souffrance et des expectatives de création sociale.
Aussi ce chemin ouvert par Freud sera-t-il une référence constante dans l’expérience philosophique qui s’en est ensuivie. Les réflexions de l’École de Frankfurt à propos de la structure pulsionnelle de la régression politique, les discussions de Deleuze et Guattari sur les rapports entre désir et capitalisme, les considérations de Lyotard à propos de l’économie libidinale, aussi bien que la sensibilité de M. Foucault au regard des dispositifs disciplinaires de notre époque et de la consolidation de la biopolitique néolibérale ne se laissent pas comprendre sans la récupération du champ ouvert par la réflexion freudienne, et cela en dépit des rapports parfois tendus – mais non pas pour autant moins décisifs – que ces auteurs purent maintenir au sujet de la psychanalyse.

1. Politiques de la psychanalyse
Dans ce sens, un colloque qui se propose discuter « La psychanalyse et les formes du politique » nous mène nécessairement à une thématique du caractère interne des politiques de la psychanalyse. Et cela en même temps qu’à une récupération de l’actualité des questions relatives aux dynamiques du pouvoir examinées par la production psychanalytique, aussi bien qu’à une réflexion ouverte par des secteurs de la philosophie politique contemporaine à partir des incidences des problématiques psychanalytiques présentes dans les travaux de Laclau, J. Butler, Badiou, Lefort, Deleuze, Foucault, Lyotard, Derrida, Adorno, Marcuse, Honneth, parmi d’autres. Sans doute une telle ampleur nous oblige-t-elle à intégrer à la « psychanalytique du pouvoir » des études archéologiques et critiques sur les institutions, discours et idéologies. Ses interfaces et incidences sur la diversité des champs, des expériences et des dispositifs culturels et sociaux sont encore à l’attente d’une critique philosophique à même de les éclairer. Car les effets et les défis du discours analytique dans le domaine des différentes modalités d’expression du politique dans la contemporanéité ne furent pas encore conjugués, jusqu’à notre moment, aux exigences théoriques, à l’expérience clinique et à l’histoire institutionnelle de la psychanalyse.
Qui plus est, cette discussion nous conduit à reprendre le sens de plusieurs moments dans lesquels la production psychanalytique s’est mise devant la question politique. Une importance spéciale doit être accordée à la construction freudienne de la catégorie du malaise et ses incidences sur la réflexion liée à la critique sociale, aussi bien qu’à sa contribution aux constructions de sensibilités concernant la spécificité des formes de souffrance au XXème siècle. Encore faut-il se rappeler que la perspective ouverte par la psychanalyse ne se borne à la dimension critique ou de prophylaxie. A maints moments la psychanalyse a déchainé une réflexion sur la potentialité qu’il y a à penser de formes renouvelées du politique et ses liens. Les réflexions sur les groupes chez Lacan et chez Bion, la question d’une identité collective sans état chez Freud, la politique sexuelle chez Reich, autant des moments attestant cette capacité de la psychanalyse à faire face aux problème de la forme des rapports composant le politique.
Peut-être trouverions nous actuellement dans un moment dans lequel la critique sociale philosophiquement orientée se laisse finalement approcher dans son dialogue tendu avec la psychanalyse. Depuis les années 50, la philosophie sociale doit faire face à la réflexion sur la nature du capitalisme et de ses régimes de rationalités. Parmi plusieurs de ces moments dans lequel raison et critique sociale s’articulèrent, la psychanalyse s’est convoquée soit pour donner élan à cette critique, soit pour être accusée de se placer comme un mode disciplinaire en plus de perpétuation des formes de vie hégémoniques dans le capitalisme. Cela a toujours produit un dialogue difficile entre la psychanalyse et la philosophie sociale qui se laisse maintenant récupérer dans un autre niveau.

Politique et esthétique

Et last but not least, il nous revient aussi d’explorer la dimension esthétique des recherches psychanalytiques, car la réflexion sur la forme nous livre le point où la politique et l’art se conjuguent. L’invention esthétique, en tant qu’idée et expérience, se lie fortement au domaine du politique, soit pour en célébrer les conquêtes, soit pour en critiquer les tendances, effets et configurations. La forme esthétique et la forme politique ne sont pas indifférentes l’une de l’autre, mais ont une capacité d’induction particulière, de sorte que désir et langage, transformations du désir et transformations du langage s’y conjuguent comme dans un chiasme. Ainsi une réflexion sur la psychanalyse et les formes du politique ne saurait-elle négliger la force politique des textes psychanalytiques sur la production esthétique.

Singularité et différence

Cela étant, l’objectif de cette rencontre concerne la discussion de l’actualité de la psychanalyse au sujet de la réflexion sur les formes du politique, en tenant compte de l’élément singulier qu’elle arrive à insérer au niveau des organisations politiques. La considération de l’invention esthétique sera le moyen à travers duquel nous essayerons de montrer comment la psychanalyse inclut, de manière efficace, la singularité au centre de la pensée politique.